História de Barra do Piraí

Barra do Piraí, Barra quer dizer foz de um rio, lugar onde um rio se lança em outro. E, como em Barra do Piraí o rio se lança no rio Paraíba do Sul, forma assim a foz do rio Piraí. Logo, como Barra do Piraí é uma cidade cortada por dois rios: o Paraíba do Sul e o Piraí, nada mais adequado do que o seu nome.Durante o período colonial, a região onde se encontrava o município, ou seja, o Vale do Paraíba, era uma imensa floresta habitada por índios das tribos Xumetos, Pitas e Araris, que foram chamados pelos portugueses de Coroados, devido à forma do seu cabelo. Até hoje podemos observar nos nomes de nossos rios Paraíba e Piraí, no nome do Distrito de Ipiabas, da Serra do Ipiranga e da Fazenda Ibitira, a herança deixada pelos índios. Enquanto isso, nas Minas Gerais (atuais estados de Minas Gerais e Goiás) onde o ouro estava sendo explorado, trazia-se muita riqueza para aquela região. A ligação entre o Rio de Janeiro e a região das minas era feita por meio de trilhas no meio da mata: as estradas do ouro. Ao lado destas, outras menores foram abertas e algumas passavam próximas ao lugar onde hoje está Barra do Piraí e Valença . Esses caminhos serviam para passagem das tropas de mulas, que por serem animais muito resistentes, faziam o transporte do ouro e, posteriormente, da produção do café, que saia para o Rio de Janeiro, trazendo na volta produtos para os habitantes das minas. Somente após a independência, quando as minas de ouro decaíram, muitos mineiros e portugueses vieram se estabelecer nas margens do rio Paraíba e, assim, iniciaram a plantação do café. Começaram a surgir, então, as fazendas de café, que, para se formar, expulsaram os índios. Eles foram aldeados na então Conservatória do Rio Bonito (atual Conservatória do distrito de Valença). Daí por diante, várias cidades foram surgindo em torno da lavoura do café como Valença, Vassouras, Piraí, Barra do Piraí, entre outras. Cabe ressaltar que, na época, o braço escravo era a mão-de-obra usada na produção cafeeira.

A colonização territorial do município de Barra do Piraí, cuja área está avaliada em cerca de 607 quilômetros quadrados, teve início em terras de sesmarias doadas, em 26 de janeiro de 1761 a ANTÔNIO PINTO DE MIRANDA, com uma légua em quadra à margem direita do rio Piraí, e a Francisco Peres Lisboa, em 26 de fevereiro de 1765, também com uma légua de quadra, situada à margem esquerda desse mesmo rio e direita do rio "Paraíba".
 
A primeira notícia concreta da existência do povoado, onde segundo Ovídio Mello, o comendador Gonçalves Morais fizera construir uma ponte de madeira sobre o rio "Piraí" e, próximo dela, o primeiro prédio, onde foi instalado o Hotel Piraí, de propriedade de Francisco Ilhéu que, mais tarde o transferiu a José Pereira Nogueira. Pouco depois foram feitas outras construções pelo referido comendador Antônio Gonçalves e por seu filho José Gonçalves, ao mesmo tempo em que, na margem oposta do "Paraíba", os comendadores João Pereira da Silva e José Pereira de Faro, mais tarde Barão do Rio Bonito, ergueram o pequeno povoado de Santana, então pertencente ao território de Valença.
 
A estação de Estrada de Ferro Central do Brasil foi inaugurada em 7 de agosto de 1864, quando, no povoado, entrou a primeira locomotiva conduzindo um trem de passageiros.
 
Logo após, iniciaram-se os trabalhos da linha do Centro que conduz ao norte de Minas Gerais e, mais tarde, os do rural de São Paulo. Dentro em pouco, se tornava a pequena comuna, uma das praças comerciais importantes do interior. Toda a exportação do norte de São Paulo e sul de Minas tinha ali seu ponto de embarque, vinda aquela, por barcos, de Resende a Barra do Piraí, e esta, por carroças e tropas. Entretanto, apesar de sua importância, Barra do Piraí não era, a esse tempo, sequer um distrito de paz, nem um curato religioso.
 
Em fins do ano de 1853 e princípio de 1854, os dois irmãos, comendadores José Pereira da Silva e José Pereira de Faro, este, Barão do Rio Bonito e importante fazendeiro em Valença - da margem esquerda do rio "Paraíba" - em terras de sua propriedade naquele município, também trabalhavam pela formação do povoado de Santana, com as primeiras casas que mandaram construir.
 
Os Faro eram riquíssimos fazendeiros de Valença e proprietários das fazendas de "Santana", "Monte Alegre", "São José" e "Aliança". Já nesse tempo estavam sendo atacadas as obras da 1a seção da Estrada de Ferro D. Pedro II. Tal empreendimento, altamente promissor para o povoado nascente, deu ensejo a que se travasse, entre duas famílias ilustres e poderosas, tremenda luta nos bastidores da Corte. A família Faro, de Valença, tendo à frente o Barão do Rio Bonito e, a família Teixeira Leite, de Vassouras.
 
Aquela se empenhava no sentido de que, entre os dois traçados da Estrada de Ferro, fosse observado a do Ribeirão dos Macacos; e esta, batia-se, energicamente, pelo plano do Morro Azul. O primeiro traçado, em terras valencianas, beneficiaria a embrionária Barra do Piraí e, o segundo, levaria maiores possibilidades de progresso à já adiantada Vassouras. O povoado progrediu francamente, de 1854 a 1864.
 
A 7 de agosto de 1864, era entregue ao tráfego regular de passageiros, o trecho ferroviário da antiga D. Pedro II, entre Rodeio (atual Paulo de Frontim) e Barra do Piraí, tendo sido o comboio especial conduzido pela locomotiva "Baroneza". Em 1868, Barra do Piraí recebe a sua primeira categoria político-administrativa, transformando-se assim, em um Distrito da subdelegacia de polícia. Passados dois anos, nova Deliberação, datada de 31 de agosto de 1870, alterava o território do distrito de Barra do Piraí.
 

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