História de Vassouras

O sertão fluminense, ao longo do século XVIII, foi cortado por caminhos abertos pelos tropeiros em direção às zonas de produção de ouro, entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro, o que acabou por derrubar a proibição de abertura de estradas na Capitania do Rio de Janeiro imposta pelo Conselho Ultramarino cujo objetivo era impedir o contrabando do minério. O “Caminho Velho” ou “Caminho dos Guaianás” partia de Parati e atravessava a Serra do Mar chegando às Minas Gerais via Taubaté e Guaratinguetá. O “Caminho Novo”, aberto no início do século XVIII por Garcia Rodrigues Paes, atravessava a Serra do Mar chegando às Minas Gerais via Pati do Alferes, Paraíba do Sul e Paraibuna. Este novo caminho ganhou inúmeros caminhos variantes como o “Caminho de Bernardo Proença”, o “Caminho de Terra Firme”, o “Caminho do Comércio”, entre outros.

Inicialmente, dois tipos de ocupação aconteceram ao longo destes caminhos decorrentes do movimento de tropas por esta região, alguns, solicitaram e receberam sesmarias ou concessões de terra da Coroa Portuguesa e outros, posseiros, atraídos pelo mercado, construíram ranchos para tropeiros e seus animais de carga, fizeram roças de milho, feijão, cana e pasto, para atender ao movimento de tropas na região.

Data de 1782 a doação da “Sesmaria de Vassouras e Rio Bonito” ao açoriano Francisco Rodrigues Alves, primeiro proprietário das terras que hoje conhecemos como a cidade de Vassouras quem, a partir de 1792, já tinha cafezais em sua propriedade para abastecer à família. Sua filha, Ana Barbosa de Sá, falecida a 12/8/1868, casou-se, com José de Avelar e Almeida, falecido a 26/3/1872, Barão do Ribeirão a 22/6/1867, que é filho de Manoel de Avellar e Almeida, patriarca da família Avellar e Almeida de Vassouras, meu tetravô. Francisco Rodrigues Alves teve, entre filhos, netos e bisnetos, 11 descendentes titulares no 2o Reinado do Império: Baronesa do Ribeirão, 1o, 2o, e 3o Barão de Santa Justa, Baronesa de Meneses, Viscondessa de Ibituruna, Barão de Santa Fé, Barão de Massambará, Barão e Visconde de Cananéia, Barão de Avelar e Almeida, Baronesa de Werneck, todos eles ligados ao café.

Em 1828, a produção cafeeira no Rio é de 5.122 contos e supera pela 1a vez a produção de açúcar que é 3.446 contos. Em 1825 São Paulo produzira 250 contos de café e só em 1886 é que o café paulista superará a produção de açúcar neste Estado, 58 anos após o Rio.

A 15 de janeiro de 1833, Pati do Alferes perde o título de Vila para o povoado de Vassouras por decreto da Regência Trina. Em função do grande progresso decorrente das plantações de café na região, Vassouras se desenvolve em poucas décadas sendo então elevada à categoria de cidade no dia 29 de Setembro de 1857, data esta, na qual se comemora o seu aniversário, nesta época tinha aproximadamente 3.500 moradores. Entre 1856 e 1859 o Rio produziu 63.804.764 arrobas de café e, neste mesmo período São Paulo e Minas produziram juntos apenas um quarto deste total de arrobas.

A alta cotação do café no mercado internacional teve como resultado o rápido enriquecimento dos produtores desta região que foram, a partir de 1825 até 1870, os maiores exportadores brasileiros de café responsáveis por 65% do total da exportação, com 500 milhões de pés de café em produção no apogeu. Entre 1879 a 1884 ainda contribuíram com 55,91% do total da exportação cafeeira. Em 1894 a produção despenca para apenas 20% do total exportado pelo Brasil. Estes fazendeiros, donos de grandes fortunas, refinaram-se, sofisticando seus modos de vida, polindo suas maneiras e construindo verdadeiros palácios rurais em suas fazendas que, até hoje, impressionam pela sua imponência.

Como conseqüência, por volta de meados do século XIX, a cidade de Vassouras viveu seu apogeu recebendo o título de “Princezinha do Café” e pela quantidade de títulos concedidos aos seus fazendeiros é também conhecida como a “Cidade dos Barões”.

Cabe lembrar que o nome Vassouras está associado a um arbusto muito utilizado para confecção de vassouras, abundante na região, pertencente à família das escrofularíneas e também conhecido como “tupeiçaba” ou “guaxima”.

 
 
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